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"Bata Neste Lugar"

Autor: Idries Shah

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Dhun-Nun, o Egípcio, explicou graficamente numa parábola como extraíra os conhecimentos ocultos nas inscrições faraônicas.

Havia uma estátua apontando com um dedo sob o qual se achava a inscrição: "Bata neste lugar para obter um tesouro". A origem dessa inscrição era desconhecida, mas gerações inteiras haviam golpeado o lugar indicado.

Como era feito de pedra sólida demais, os golpes deixaram poucas marcas e o significado permaneceu oculto. Certo dia, ao contemplar absorto a estátua, Dhun-Nun observou que exatamente ao meio-dia a sombra do dedo indicador, ignorada durante séculos, traçava uma linha no pavimento ao pé da estátua.

Marcou o ponto exato, muniu-se dos instrumentos necessários e com uma barra de ferro fez saltar uma lousa. Aconteceu ser esta uma espécie de alçapão no teto de uma caverna subterrânea. Esta continha estranhos objetos de tal feitura que permitiram a Dhun-Nun deduzir a ciência de sua fabricação, há longo tempo esquecida, e assim pode adquirir os tesouros, e aqueles outros de gênero mais convencional que os acompanhavam.

Uma história muito parecida era contada pelo Papa Silvestre II, que difundiu, no século X, desde Sevilha, Espanha, ensinamentos árabes, incluindo matemática. Gerbert (como era chamado originariamente) ganhou a reputação de mago, por seus conhecimentos e feitos técnicos. Viveu com um filósofo da seita Sarracena. Foi nesse meio certamente que aprendeu esta história Sufi. Diz-se que a mesma foi divulgada pelo Califa Abu-Bakr, falecido no ano de 634.

Extraído de 'Histórias dos Dervixes' Idries Shah Nova Fronteira 1976



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Escrito por Wali às 11h16
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"A Mulher e o Ser Espiritual"

Autor: Anônimo

Era uma vez uma pobre mulher que ajudou a um ser espiritual disfarçado, dando-lhe hospitalidade quando outras pessoas o haviam botado para fora.

Quando se retirou da casa da mulher ele falou: - Amanhã, procure realizar tua primeira tarefa durante o dia todo. Ela pensou que era uma estranha forma de mostrar agradecimento, mas, em seguida esqueceu o assunto. No dia seguinte um mercador trouxe para a mulher um pequeno carretel de fibra de ouro e pediu para que ela lhe bordasse uma capa, pois bordar era seu trabalho, quando conseguia ter algum. Então ela desenrolou o fio de ouro e bordou a roupa. Quando terminou, viu que tinha ainda mais fio de ouro no chão do que quando havia começado seu trabalho. Quanto mais enrolava o fio de ouro numa bola, mais fio aparecia. Enrolou o dia inteiro e a noite tinha uma grande quantidade de ouro. Por tradição, o fio restante pertencia a bordadeira. Vendeu este fio de ouro, e com o dinheiro pode reconstruir sua casa e mobiliá-la, assim como estabelecer-se com um bom negócio.

Como é natural, os vizinhos sentiram curiosidade, e ela lhes contou como havia mudado a sua sorte e como tudo tinha acontecido. Algum tempo mais tarde, um mercador da mesma cidade viu e reconheceu o forasteiro com poderes mágicos do qual a mulher lhe falara e o convidou a sua loja e a sua casa. Mostrou para com o ser espiritual uma grande hospitalidade, imitando a forma de agir das pessoas generosas, extremando inclusive suas atenções. Pensava: “Espero que agora me toque algo a mim... E, por suposto, a todos os deste povo”. Agregou a segunda frase a seu pensamento porque, apesar de ser cobiçoso, imaginou que lembrando-se dos outros obteria algo para si, mas não obstante, estava imitando a caridade, porque não pensava que o bem dos outros equivalia a seu próprio bem, salvo com idéia posterior; mas para ele as coisas resultaram diferentes de como foram para a mulher caridosa.

Quando o forasteiro estava a ponto de partir o mercador lhe falou: - Concede-me uma graça. - Eu não faço tal coisa - disse o forasteiro - mas eu desejo que tua primeira preocupação de hoje dure para você toda uma semana. O ser espiritual continuou seu caminho e o mercador se dirigiu à sua loja, aonde se propunha contar dinheiro e multiplicá-lo toda uma semana. Ao atravessar seu próprio pátio, o mercador se deteve para beber água do poço. Tão pronto como subiu o primeiro balde cheio, se sentiu obrigado a extrair outro e mais outro e assim continuou durante toda uma semana. A água inundou sua casa, depois a de seus vizinhos e finalmente todo o povoado, provocando quase sua ruína...



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Escrito por Wali às 16h25
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"Encontro com o Diabo"

Autor: Anônimo

Certo homem devoto, convencido de que era um sincero Buscador da verdade, submeteu-se a uma longa seqüência de disciplina e estudo. Por um período considerável de tempo, teve muitas experiências, tanto em sua vida interior, como exterior, junto a vários mestres. Um dia, meditando, viu subitamente o diabo sentado ao seu lado.

- Afasta-te, demônio - gritou -, não tens nenhum poder para me causar dano, pois estou seguindo o Caminho dos Eleitos.

- A aparição se esfumou.

Um verdadeiro sábio que por ali passava, disse-lhe, com tristeza:

- Ah, meu amigo. Assentaste teus esforços sobre bases tão inseguras, tais como teu medo inalterado, tua avareza e tua auto-estima, que chegaste a tua última experiência possível.

- E por quê? - perguntou o buscador.

- Esse diabo é, na realidade, um anjo. Diabo é como tu o viste.

extraído do livro Sufismo no Ocidente Ed. Dervish, Brasil



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Escrito por Wali às 11h56
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