BLOG DO WALI


Mudança de Endereço.

Amigos estou migrando para o Blog http://paginadia.blogspot.com/ em breve estarei desativando este.

Escrito por Wali às 08h35
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"Ignorância e Poder"

Autor: Angela Merice

Quando: Jul/2006

Vejo muitas pessoas comentando sobre a ignorância do povo que, de acordo com as pesquisas, votaria em Lula, se a eleição fosse hoje. Penso que a resposta das pesquisas de opinião são respostas a uma questão maior, mais ampla. Na verdade, não se trata de escolher uma pessoa para "governar" o País. A nossa questão é a cegueira em relação ao fato de sermos todos um. Não ficamos reféns da ignorância. Somos parte dela, apenas o lado leitor, informado, da ignorância. Quando reafirmamos a nossa crença de que a escolha de um presidente, seja a escolha feita por "consciência", "informação", "seriedade", "ignorância", "indiferença", vai mudar o País, esta é apenas uma crença, sem respaldo nos fatos. A máquina do Poder, tal como está construída, está pronta para absorver qualquer um que pouse por lá. Os mecanismos desta máquina já estão programados para a corrupção. Por outro lado, a educação está falida. Não é só um problema de corrupção, de falta de investimento em salários de professores ou em escolas. O currículo do ensino é completamente esquizofrênico. Seja nas escolas públicas ou nas particulares, há um acúmulo de conteúdos que se tem que aprender, engolir, para conseguir os diplomas certos e "progredir" na vida. Será que aprender a extrair uma raiz quadrada aos onze anos nos torna pessoas melhores? E equações de segundo grau aos quatorze anos nos dá mais sabedoria? O ensino é uma massa de conteúdos descontextualizados, que são um desrespeito à inteligência de nossos filhos. Não se desenvolvem as capacidades de refletir, criar, intuir, construir o próprio pensamento. O importante é dar as respostas certas. Não se valoriza os potenciais criativos e imaginativos individuais, mas o quanto o sujeito se adapta ao esquema escolar. Para a classe média, o importante é passar no vestibular. Depois, fazer especializações, mestrados, doutorados, saber tudo sobre um nada, super-especialistas de nada. Não aprendemos a ser humanos. Não aprendemos a ser solidários. Não valorizamos a verdade, a justiça, o amor, a criatividade, o respeito ao outro (seja ele quem for), a gentileza, o discernimento, a intuição, como bens humanos básicos a serem estimulados e desenvolvidos em casa e na escola. Isto não é importante. O importante é dar as respostas certas, ser treinado ou adestrado para o mercado de trabalho, seja em que nível for (lixeiro, torneiro mecânico, médico, juiz). Não vejo mais sabedoria no diretor de uma instituição financeira, com mestrado em finanças, que no jornaleiro da minha rua. Qual dos dois vai votar melhor? Não importa, não é a questão. Que importa morar numa casa de quinhentos metros quadrados, sair à rua num carro blindado, sem olhar para os lados, sem saber o que sentem e pensam os outros seres humanos que estão nas ruas? Eles só têm valor como voto, que pode eleger um Lula ou um Alckmin. E aí o círculo se fecha sobre si mesmo. A ignorância e insensibilidade de uns em relação ao estado de outros se junta à ignorância e insensibilidade de outros em relação ao que se passa nos altos círculos do poder. Um litro de leite a mais no fim do mês está muito mais próximo e é mais vital do que uma raiz quadrada. Eles estão certos. Não são loucos. A situação que vivemos tem uma lógica muito mais complexa (do ponto de vista do sistema) ou muito mais simples (do ponto de vista do povo "ignorante") do que imaginamos. Quem é o sujeito mais miserável: aquele que alimenta a família catando lixo ou aquele que, tendo feito uma carreira acadêmica completa, tendo todas as necessidades básicas e secundárias satisfeitas, rouba, enche cofres de dinheiro no exterior? Quem é mais humano? Quem é mais louco? Quem é mais "pé-no-chão"? O que foi ensinado ao catador, e o que foi ensinado ao Doutor? O que aprenderam? Quem é mais "humano"? Só consigo pensar numa saída para estas situações numa mudança em cada indivíduo. Sensibilidade, se importar com quem está em volta. Família, vizinhos, o faxineiro do prédio, o menino que vive na esquina, olhar em volta e lidar com gentileza com um mar de seres humanos que nem vemos, que não olhamos nos olhos, a quem nunca damos um sorriso. Agradecer ao menino, com um sorriso e umas moedas pelo serviço prestado de limpar o vidro do carro no sinal. Você vai dizer que está errado, que este menino não deveria estar alí, que não quer estimular este tipo de situação, já sei. O problema é que, na REALIDADE, ele está alí, e com fome. E precisa ser tratado como ser humano, precisa ser olhado como ser humano JÁ, não quando acabar a corrupção, não quando todos forem alfabetizados. Se olharmos as pessoas teoricamente, alimentamos a esquizofrenia da nossa sociedade, levando uma vida virtual, entre os que passam necessidades reais e os que roubam de verdade. Proponho uma revolução pelo olhar, pela sensibilidade, pela gentileza, pelo sorriso, pela boa vontade, silenciosa, nas vizinhanças, sem preocupação de levantar bandeiras, passeatas. Proponho uma revolução silenciosa só com quem cruzar o nosso caminho, no cotidiano. Um olhar sorridente e gentil tem um poder de transformação e contágio tão grande que até dá para entender porque não está nos currículos escolares. Como seria possível controlar e dizer o que deveria pensar um Ser Humano com todas as suas capacidades desenvolvidas? Proponho que nos aceitemos mais, que nos amemos mais, que sejamos mais humanos JÁ! Angela Merice Lemos Sales angelamericils@yahoo.com.br



Categoria: Citação
Escrito por Wali às 15h01
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Página em branco

 

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Você é o único autor do livro da sua vida.

 

O que está escrito no livro de sua vida? Desconfiança, amor, desamor, escassez, assassinato, crime, traição, competição, sobrevivência, ciúme, ódio, guerra, desunião, foda, tormento, fome, doença, frio, morte, calafrio, calor, desgraça, sede, vingança, corrupção, política, eleição, imposto, autoridade, policia, medo, religião?

 

E se lhe fosse dado a oportunidade de uma página em branco, o que você escreveria no livro da sua vida? Amor, paixão, amigo, nexo, convexo, paradoxo, paradigma, estátua, movimento, vento, parado, rima, prima, amor, vazios, sorrisos, doces, alegria, feliz, palavras, sentimento, irmão, arte, beijos, bocejos, gargalhada, fim, começo, tesão?

 

E se no dia seguinte, lhe fosse dado mais uma página em branco, o que você escreveria nela? E se a cada dia lhe fosse dado uma nova página o que você faria? Lembre-se você é o único autor do livro da sua vida, então o que você escreveria?

 

A cada dia temos a opção de escrever o livro de nossas vidas da forma que quisermos, temos a opção de não continuar o capitulo anterior, temos a opção de pensar e agir de outra maneira! Então, tome esta página em branco e faça o seu trabalho.

 

 

 



Escrito por Wali às 05h23
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"Yunus Emré"

Autor: Anonimo

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Yunus Emré, em tempos muito antigos, inventou contos mais duráveis que a memória de sua própria vida. Foi também um incansável buscador da verdade. Aos vinte anos aproximadamente, ou talvez mais jovem ainda, veio-lhe ao coração uma avidez pelo conhecimento que o levou pelos caminhos do mundo. Ele partiu na esperança que essa sede de saber o conduzisse a um mestre que o iluminasse. Esse mestre foi-lhe dado encontrar depois de dez anos de errância miserável, no grande vento de uma colina, em plena estepe da Anatólia.. Chamava-se Taptuk e era cego. Taptuk também havia viajado muito, mas por caminhos diferentes dos de Yunus. Adolescente ainda, raspou sua cabeça e sobrancelhas e vestindo um gorro de feltro vermelho foi combater invasores mongóis. Atravessou tantas derrotas quantas efêmeras vitórias. Cavalgou com o sabre entre os dentes, perseguindo homens tão loucos quanto ele. Odiou, pilhou, matou, cem vezes perdeu e encontrou sua alma no furor dos combates, até que finalmente o silencio se abateu sobre sua cabeça. Numa noite de derrota, ele foi deixado como morto num campo de batalha, à beira de um riacho. Lá, uma mulher, a primeira de sua existência com exceção de algumas prostitutas de tavernas, finalmente debruçou-se sobre ele. Ela o recolheu, cuidou dele até curá-lo. Só não pode devolver-lhe a visão que lhe tinha sido tomada por um sabre inimigo. Ela então lhe ofereceu sua vida, sua mão para conduzi-lo. Desse dia em diante, guiado por sua esposa, Taptuk não sonhava outra coisa a não ser encontrar ele mesmo um caminho até a fonte silenciosa de onde se eleva a luz que torna todas as coisas simples. Uma noite, nesse deserto seco onde ninguém se aventurava, com exceção de alguns pastores, ele alcançou a fonte. Lá, construiu sua casa. Outros buscadores juntaram-se a ele, de tempos em tempos, levados por não se sabe que vento da alma. Eles reconheceram nesse homem imponente e de poucas palavras o mestre que eles esperavam. Construíram suas cabanas perto da sua e em volta levantaram uma paliçada. Quando Yunus Emré chegou a esse lugar, o monastério de Taptuk, o cego, não era mais do que isso: algumas choupanas baixas rodeadas por um muro de pedras secas na estepe infinita. Taptuk, assim que apalpou o rosto e os ombros deste andarilho faminto de saber, prometeu-lhe a verdade. - Ela chegará aos poucos, disse-lhe. Por enquanto seu trabalho será varrer sete vezes por dia o pátio do monastério. Yunus obedeceu de coração. No instante mesmo em que se viu diante desse ancião de cabeça raspada, uma confiança inquebrantável apoderou-se dele. Sete vezes por dia ele varria o pátio com entusiasmo, saudando alegremente o mestre e seus discípulos, quando eles se reuniam na casa da esposa onde Taptuk, o cego, ensinava todas as manhãs. Mas ninguém respondia às suas saudações. "Está bem que os discípulos me ignorem, dizia-se, mas aquele que tão bem me acolheu em sua casa, por que não me dirige a palavra?" Assim se passou um ano, depois dois e três anos, sem que ninguém falasse com ele. Então, seu coração tornou-se pesado. "Sem duvida este silencio significa alguma coisa, pensou, seguramente meu mestre quer ensinar algo para minha alma, pois é à alma que se dirige a palavra sem voz. (continua...)



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Escrito por Wali às 12h19
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"Yunnus Emré (continuação)"

Autor: Anonimo

Buscar na Web "Anonimo"

"Refletiu sobre sua solidão, enxotando sete vezes por dia o pó que o vento trazia sem cessar para o pátio do monastério. Enfim, numa manhã de primavera, ao sair de sua cabana, a vassoura nos ombros, uma luz lhe veio. ”Descobri! Taptuk quer ensinar-me a paciência", se disse ele. Seu coração encheu-se de júbilo e ele voltou a varrer o pátio com um ardor renovado. Cinco anos se passaram. Dois outros se escoaram ainda, depois três, depois cinco novos anos, sem que sua sorte mudasse. Então Yunus desesperou-se. "Que fiz eu para merecer tão longa indiferença?” se disse ele. Talvez meu mestre tenha me esquecido. Ou talvez não seja eu para ele senão um idiota recolhido por piedade, bom apenas para varrer o pátio. Esforçou-se, no entanto, para refletir desapaixonadamente. Numa noite de tempestade, veio-lhe ao espírito que Taptuk quisesse lhe ensinar a humildade. Em meio à escuridão atormentada em que se encontrava, ele sorriu. "É isso. Ele quer me ensinar a humildade". Na manhã seguinte, quando iniciou o trabalho, seus gestos estavam mais comedidos e, porque seu coração estava em paz, ele se pôs, enquanto varria o pátio, a cantarolar. Pouca coisa. Palavras que lhe subiam aos lábios e que ele deixava ir ao vento pela única satisfação de ouvir voz humana. Entretanto, sua confiança em Taptuk pouco a pouco o deixou. Este homem, decididamente, o enganara. Ele não tivera jamais a intenção de ensinar-lhe o que havia prometido. "Perco minha vida a esperar", se disse ele. Cinco anos ainda, varreu o pátio, sem que ninguém o escutasse. Uma noite, cansado dessa miserável existência e convencido de que ninguém se aperceberia de sua ausência, decidiu deixar aquele lugar onde, depois de quinze anos de humilde paciência, não havia encontrado senão amargura e melancolia. Ele se foi pela noite, caminhando sempre em frente. Andou até o amanhecer, embriagado de liberdade sem esperança. Sentiu fome e sede mas não havia nenhuma fonte onde saciar-se, nenhum abrigo onde pudesse refazer as forças neste infinito deserto de ervas amarelecidas, pedras e vento. "Vou morrer, se disse. Que importa? Mais vale morrer caminhando do que varrendo o pátio de um louco". Andou, por três dias inteiros. Na noite do terceiro dia, no momento em que ia deitar-se sobre um rochedo para oferecer seu corpo extenuado aos abutres, percebeu ao longe um acampamento. Surpreendeu-se. Nenhum viajante viria a essas terras. Quem poderiam ser essas pessoas? Aproximou-se. Viu homens sentados na entrada de uma grande tenda. Festejavam rindo e falando alto. Quando o viram, fizeram sinal e, gritando alegremente , convidaram-no a compartilhar sua refeição. Frutas deliciosa, assados apetitosos, bebidas de todas as cores em frascos de vidro estendiam-se em profusão sobre um tapete de lã. Yunus acercou-se deles, bebeu, comeu, e finalmente ousou perguntar a essas pessoas por qual milagre, neste deserto hostil, eles se achavam assim providos de alimentos tão raros, como ele jamais havia experimentado. Uma voz conduziu-nos aqui, disseram-lhe. Com certeza é o melhor lugar do mundo. Todos os dias o vento nos traz de longe os cantos de um dervixe desconhecido. Basta escutá-los e cantá-los que logo aparecem diante de nós todas essas iguarias suculentas que você vê. seríamos loucos, se fossemos viver noutro lugar. Yunus extasiou-se, confessou que jamais conhecera magia igual e atreveu-se a perguntar a seus companheiros se eles poderiam ensinar-lhe tais cantos para que ele não morresse de fome pelo caminho. - Com prazer, responderam os homens. E se puseram a cantar. Então Yunys, com os olhos arregalados e a boca aberta, ouviu os cantos que ele mesmo inventara durante cinco anos, varrendo o pátio do monastério. Reconheceu as mesmas palavras que pronunciara com o único desejo de enganar a solidão. Músicas nascidas do seu coração, na esperança de espantar a melancolia. Eram a sua obra. No mesmo instante ele compreendeu para qual trabalho ele estava neste mundo, experimentou a pura verdade de sua alma e sofreu a pior vergonha pensando em Taptuk que o havia instruído, sem que ele percebesse, como a um filho infinitamente amado. Então abraçou e beijou os homens que o haviam acolhido e voltou ao monastério correndo e chorando. "Taptuk me perdoará por eu ter duvidado dele? Se dizia ele, bebendo o vento. Algum dia ele me perdoará?" Já era noite quando chegou à porta carcomida que fechava a paliçada. Bateu chamando e pedindo piedade. O rosto de esposa de Taptuk apareceu em cima do muro. -Eis que está de volta, Yunus, disse ela docemente."Pobre criança! Não sei se Taptuk o aceitará de novo entre nós. Sua partida o desesperou.'"Que desgraça, disse-me ele, meu filho mais querido deixou-me. Que vale a minha vida daqui para frente ?" Vou abrir. Você vai dormir na poeira do pátio. Amanhã, quando seu mestre fizer o passeio matinal, vai bater o pé no seu corpo. Se ele disser: "Quem é este homem?", então, você deverá partir para sempre. Mas se disser: "É você, meu bom Yunus?" então saberá que pode outra vez viver em sua presença. Entre, meu filho. Yunus deitou-se na poeira do chão. Ao amanhecer viu aproximar-se Taptuk, o cego, com sua esposa. Fechou os olhos, sentiu um pé contra suas costas e ouviu: - É você, meu bom Yunus? Ele se levantou inebriado de luz e de felicidade, correu para sua vassoura e começou novamente a varrer o pátio. Assim ele fez até sua morte, sem falhar um único dia, quando se tornou semelhante ao pó mil vezes levado pelo vento, seus cantos se elevaram, invadiram os lugares onde viviam os homens e os nutriam com uma bondade tão perseverante que ainda hoje, nove cidades na Anatólia reivindicam o privilégio de ter em seu território o verdadeiro túmulo de Yunus Emré, o homem que Taptuk, o cego, iluminou.



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Escrito por Wali às 12h17
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"A LINGUAGEM DOS PÁSSAROS"

Autor: Fariduddin Attar

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Um grupo de pássaros desejava encontrar a seu rei; então pediram à poupa sábia (um pássaro com crista em forma de abano) que lhes ajudasse em sua busca. A poupa lhes disse que o rei que estão procurando se chama Simurgh (que significa em persa “Trinta Pássaros”) e que vive escondido na montanha de Kaf, porém é uma viajem muito difícil e perigosa. Os pássaros imploram à poupa que os guie. A poupa aceita e começa a ensinar a cada pássaro de acordo com seu nível e temperamento. Ela lhes diz que para alcançar o alto da montanha, necessitam atravessar cinco vales e dois desertos; quando tiverem passado o segundo deserto, entrarão no palácio do rei. Os de vontade débil, temerosos da viagem, começam a por desculpas. O louro, que é egocêntrico e egoísta, diz que no lugar de ir em busca do rei, buscará o Santo Gral. O pavão real, a ave legendária do paraíso, exclama que tem sonhado que voltará ao céu e que vai esperar pacientemente esse dia. A pata, se lamenta porque sua vida depende de estar próxima da água e morreria se si separasse dela. A garça tem uma desculpa similar; não lhe é possível viajar longe do mar, porque seu amor pela água é tão grande que, embora permaneça sentado durante anos à sua margem, não tem ousado beber nem uma gota, se não o mar acabaria sem água. A coruja declara que prefere ficar e buscar as ruínas com a esperança de encontrar um tesouro algum dia. O rouxinol diz que não necessita viajar, porque está enamorado da rosa e este amor é suficiente para ele. Possui os segredos do amor que nem outra criatura tem; e com uma voz maravilhosa canta ao amor: - Conheço os segredos do amor. Toda noite derramo meu canto de amor. A música mística da flauta se inspira em meu lamento, e sou eu quem faz desabrochar a rosa e comover os corações dos namorados. Ensino mistérios com minhas tristes notas, e quem me ouve se perde em êxtase. Ninguém conhece os meus segredos, unicamente a rosa. Tenho me esquecido de mim mesmo e só penso na rosa. Alcançar a Simurgh está acima de mim! O amor da rosa é suficiente para o rouxinol! A poupa que escutou pacientemente responde ao rouxinol: - Tu estás preocupado com a forma exterior das coisas, pelos prazeres de uma forma sedutora. O amor da rosa tem lançado espinhos a teu coração. Não importa quão grande seja a beleza da rosa, se desvanecerá em poucos dias; e o amor a algo tão passageiro só pode causar repulsa ao perfeito. Se a rosa te sorri é só para enxerte de dor, porque ela rir-se de ti a cada primavera. Abandona a rosa e seu quente calor. “O que quer dizer Attar com esta simples conversação? Nós humanos temos o desejo de buscar a perfeição, mas muitas vezes tendemos a parar o processo tão logo detectamos o mais ligeiro sinal de progresso. Isto é especialmente certo nos aspirantes ao caminho espiritual: muitos buscadores estão encantados com as primeiras etapas do despertar e o confundem com a completa iluminação. Attar nos adverte de tais perigos: não devemos confundir o amor do imaginário com o amor do Real. Por esta razão, o rouxinol tem que abandonar seu enganoso apego pela rosa para buscar ao eterno Amado.” A poupa deleita os pássaros com maravilhosas histórias daqueles que têm feito a perigosa viagem. Depois de ter ouvido as histórias da poupa, os pássaros estão inspirados para começar sua viajem até o primeiro vale. Entretanto, logo começam a ter problemas, e se dão conta de que o caminho vai ser mais difícil do que haviam imaginado. Alguns voltam a por desculpas. Um afirma que a poupa não é suficientemente sábia para conduzi-los. Outro se queixa que satanás lhe tem possuído e lhe está pondo as coisas difíceis. E outro expressa seu desejo de ter dinheiro e a comodidade de uma vida de luxo. Finalmente, a poupa decide que a única forma para que os pássaros compreendam, é descrever-lhes os sete vales e desertos da viajem. O primeiro é o Vale da Busca. Aqui se busca a Verdade com inquietude, diz a poupa. Com constância, se busca um significado maior ao propósito da vida. Só um buscador com dedicação pode atravessar a salvo o primeiro vale e ir ao segundo, o Vale do Amor. Aqui se sente um desejo ilimitado de ver ao Rei Amado. Um fogo abrasador começa a crescer no coração e se faz devastador. O lugar é mais perigoso que o primeiro vale, porque há obstáculos no caminho para por a prova o amor. Entretanto esse mesmo amor impulsiona ao buscador sair do vale e ir até uma terra mais alta: o terceiro vale, o Vale do Conhecimento. Uma vez que se entra nesta terra, o coração se ilumina com a verdade. Se adquire aqui o conhecimento interior do Amado. Deste lugar o viajante continua a viajem ao Vale do Desapego, onde perde seus desejos de possessões mundanas. Não existe ataduras com o mundo material para o viajante que atravessa esse vale; liberado dos desejos agora o aspirante é completamente independente. Cada novo lugar que o buscador encontra é mais perigoso que o anterior e deve ser explorado passo à passo, porque cada um contém suas próprias provas e dificuldades. Assim, cada encontro com uma terra diferente é uma experiência nova. O quinto vale é o Vale da Unidade. O viajante experimenta nele que todos os seres são unos em essência, que toda variedade de idéias, experiências e criaturas da vida tem realmente uma só fonte. O viajante chega ao Deserto do Medo. Então se esquece da existência de si mesmo e de todos os demais. Vê a luz, não com os olhos da mente, sim com os olhos do coração. A porta do divino tesouro, o segredo dos segredos, se abre. Nesta terra, o intelecto já não funciona. Aqui se pergunta ao viajante quem é e o que és, responde: “Não sei nada.” Finalmente chega ao Deserto do Aniquilamento e da Morte. Neste ponto, o aspirante entende finalmente como uma gota se funde no oceano da unidade com o Amado. Tem encontrado o destino da viajem para encontrar ao rei. Depois de ouvir a descrição da poupa sobre o que lhes espera, os pássaros se animam tanto que imediatamente continuam sua viajem. No caminho alguns morrem pelo calor e se jogam no mar. Outros se cansam e não podem continuar; um grupo é caçado por animais selvagens e outros mais se distraem tanto pelo atrativo das terras que atravessam, que se perdem e ficam para trás. Só trinta alcançam seu destino: a montanha de Kaf. No palácio real, o guarda da entrada trata cruelmente os trinta pássaros. Mas os pássaros, que têm passado o pior, são tolerantes e não se permitem sentir-se molestados por sua dureza. Finalmente, o servidor pessoal do rei sai e conduz os pássaros ao salão real. Ao entrar, os pássaros olham tudo assustados. Não sabem o que ocorre, porque no lugar de ver a Simurgh, “Trinta Pássaros”, tudo o que vêm é... Trinta Pássaros. Finalmente compreendem que, olhando-se a si mesmos, têm encontrado ao rei, e que em sua busca do rei, têm encontrado a si mesmos. Os que atravessam as sete cidades do amor se purificam. Quando chegam ao palácio real, encontram ao rei que se revela a seus corações.



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Escrito por Wali às 10h32
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"Bata Neste Lugar"

Autor: Idries Shah

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Dhun-Nun, o Egípcio, explicou graficamente numa parábola como extraíra os conhecimentos ocultos nas inscrições faraônicas.

Havia uma estátua apontando com um dedo sob o qual se achava a inscrição: "Bata neste lugar para obter um tesouro". A origem dessa inscrição era desconhecida, mas gerações inteiras haviam golpeado o lugar indicado.

Como era feito de pedra sólida demais, os golpes deixaram poucas marcas e o significado permaneceu oculto. Certo dia, ao contemplar absorto a estátua, Dhun-Nun observou que exatamente ao meio-dia a sombra do dedo indicador, ignorada durante séculos, traçava uma linha no pavimento ao pé da estátua.

Marcou o ponto exato, muniu-se dos instrumentos necessários e com uma barra de ferro fez saltar uma lousa. Aconteceu ser esta uma espécie de alçapão no teto de uma caverna subterrânea. Esta continha estranhos objetos de tal feitura que permitiram a Dhun-Nun deduzir a ciência de sua fabricação, há longo tempo esquecida, e assim pode adquirir os tesouros, e aqueles outros de gênero mais convencional que os acompanhavam.

Uma história muito parecida era contada pelo Papa Silvestre II, que difundiu, no século X, desde Sevilha, Espanha, ensinamentos árabes, incluindo matemática. Gerbert (como era chamado originariamente) ganhou a reputação de mago, por seus conhecimentos e feitos técnicos. Viveu com um filósofo da seita Sarracena. Foi nesse meio certamente que aprendeu esta história Sufi. Diz-se que a mesma foi divulgada pelo Califa Abu-Bakr, falecido no ano de 634.

Extraído de 'Histórias dos Dervixes' Idries Shah Nova Fronteira 1976



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Escrito por Wali às 11h16
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"A Mulher e o Ser Espiritual"

Autor: Anônimo

Era uma vez uma pobre mulher que ajudou a um ser espiritual disfarçado, dando-lhe hospitalidade quando outras pessoas o haviam botado para fora.

Quando se retirou da casa da mulher ele falou: - Amanhã, procure realizar tua primeira tarefa durante o dia todo. Ela pensou que era uma estranha forma de mostrar agradecimento, mas, em seguida esqueceu o assunto. No dia seguinte um mercador trouxe para a mulher um pequeno carretel de fibra de ouro e pediu para que ela lhe bordasse uma capa, pois bordar era seu trabalho, quando conseguia ter algum. Então ela desenrolou o fio de ouro e bordou a roupa. Quando terminou, viu que tinha ainda mais fio de ouro no chão do que quando havia começado seu trabalho. Quanto mais enrolava o fio de ouro numa bola, mais fio aparecia. Enrolou o dia inteiro e a noite tinha uma grande quantidade de ouro. Por tradição, o fio restante pertencia a bordadeira. Vendeu este fio de ouro, e com o dinheiro pode reconstruir sua casa e mobiliá-la, assim como estabelecer-se com um bom negócio.

Como é natural, os vizinhos sentiram curiosidade, e ela lhes contou como havia mudado a sua sorte e como tudo tinha acontecido. Algum tempo mais tarde, um mercador da mesma cidade viu e reconheceu o forasteiro com poderes mágicos do qual a mulher lhe falara e o convidou a sua loja e a sua casa. Mostrou para com o ser espiritual uma grande hospitalidade, imitando a forma de agir das pessoas generosas, extremando inclusive suas atenções. Pensava: “Espero que agora me toque algo a mim... E, por suposto, a todos os deste povo”. Agregou a segunda frase a seu pensamento porque, apesar de ser cobiçoso, imaginou que lembrando-se dos outros obteria algo para si, mas não obstante, estava imitando a caridade, porque não pensava que o bem dos outros equivalia a seu próprio bem, salvo com idéia posterior; mas para ele as coisas resultaram diferentes de como foram para a mulher caridosa.

Quando o forasteiro estava a ponto de partir o mercador lhe falou: - Concede-me uma graça. - Eu não faço tal coisa - disse o forasteiro - mas eu desejo que tua primeira preocupação de hoje dure para você toda uma semana. O ser espiritual continuou seu caminho e o mercador se dirigiu à sua loja, aonde se propunha contar dinheiro e multiplicá-lo toda uma semana. Ao atravessar seu próprio pátio, o mercador se deteve para beber água do poço. Tão pronto como subiu o primeiro balde cheio, se sentiu obrigado a extrair outro e mais outro e assim continuou durante toda uma semana. A água inundou sua casa, depois a de seus vizinhos e finalmente todo o povoado, provocando quase sua ruína...



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Escrito por Wali às 16h25
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"Encontro com o Diabo"

Autor: Anônimo

Certo homem devoto, convencido de que era um sincero Buscador da verdade, submeteu-se a uma longa seqüência de disciplina e estudo. Por um período considerável de tempo, teve muitas experiências, tanto em sua vida interior, como exterior, junto a vários mestres. Um dia, meditando, viu subitamente o diabo sentado ao seu lado.

- Afasta-te, demônio - gritou -, não tens nenhum poder para me causar dano, pois estou seguindo o Caminho dos Eleitos.

- A aparição se esfumou.

Um verdadeiro sábio que por ali passava, disse-lhe, com tristeza:

- Ah, meu amigo. Assentaste teus esforços sobre bases tão inseguras, tais como teu medo inalterado, tua avareza e tua auto-estima, que chegaste a tua última experiência possível.

- E por quê? - perguntou o buscador.

- Esse diabo é, na realidade, um anjo. Diabo é como tu o viste.

extraído do livro Sufismo no Ocidente Ed. Dervish, Brasil



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Escrito por Wali às 11h56
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"Isto Também Passará"

Autor: Anônimo

Havia um rei muito poderoso que tinha tudo na vida, mas vivia inquieto, confuso. Resolveu então consultar os sábios do reino. Disse-lhes: - Não sei por que, sinto-me estranho, sempre; falta-me paz de espírito. É uma contradição, mas, quando estou alegre, sinto lá no fundo que falta alguma coisa. E sempre me desespero quando fico triste, como se o mundo fosse acabar amanhã. Não estou me entendendo... Os sábios resolveram dar um anel ao rei, desde que ele aceitasse certas condições.

Debaixo do anel havia uma mensagem, mas o rei só poderia abrir o anel quando estivesse passando por um momento intolerável. Se abrisse apenas por curiosidade a mensagem não faria sentido. Quando tudo estivesse perdido, a confusão fosse total, com todas as saídas fechadas e nada mais pudesse ser feito, aí o rei deveria abrir o anel. Ele jurou a si mesmo que seguiria o conselho.

Um dia o país entrou em guerra e perdeu. Houve vários momentos em que a situação ficou terrível, mas o rei não abriu o anel por que ainda não era o fim. O reino estava arrasado mas, quem sabe, poderia recuperá-lo. Fugiu do palácio para se salvar. O inimigo o seguiu, mas ele cavalgou até perder os companheiros e o cavalo. Seguiu a pé, sozinho. Os inimigos sempre no seu encalço, tão perto que se podia ouvir o resfolegar dos animais. Os pés sangravam, mas ele tinha de continuar a correr. O inimigo foi-se aproximando e o rei, quase desmaiado, chegou à beira de um precipício. Os gritos de guerra cada vez mais perto, não há saída, mas ele ainda pensa: "Estou vivo, talvez eles mudem de direção, a condição para abrir o anel não está preenchida". O rei olha para o abismo lá embaixo e só vê grupos de leões, rugindo. É, realmente, o fim. Os inimigos chegam a apenas alguns metros, e então o rei abre o anel e lê a mensagem:

"Isto também passará.”

Ele relaxa, imediatamente. “Isto também passará”. De uma forma natural, sem que o rei entendesse bem o motivo, o inimigo, apesar de tão próximo, não conseguiu vê-lo e desistiu de procurá-lo. Ele voltou para casa, pensativo. Tempos depois, reuniu seus exércitos e reconquistou seu próprio país. Houve grande festa, o povo dançou nas ruas e o rei, emocionado, chorou de tanta alegria. Mas aí se lembrou novamente do anel e da mensagem:

“Isto também passará”.

Mais uma vez relaxou e foi assim que obteve a Sabedoria e a Paz de Espírito.



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Escrito por Wali às 12h40
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"O Mosquito"

Autor: Rumi

Buscar na Web "Rumi"

Você se parece com um mosquito que se crê alguém importante.

Ao ver uma folha de palha flutuando numa poça de urina de asno, levanta a cabeça e diz: "Há quanto tempo sonho com um oceano e com um barco! Aqui estão!"

Esta poça de água suja lhe parece profunda e sem limites, pois seu universo tem o alcance de seus olhos. Tais olhos só vêem oceanos semelhantes.

De repente, o vento faz mover-se a folha de palha, e nosso mosquito exclama: "Que grande capitão sou!"

Se o mosquito conhecesse seus limites, seria semelhante a um falcão. Mas os mosquitos não possuem o olhar do falcão.



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Escrito por Wali às 12h18
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"A Ilha Deserta"

Autor: Anônimo

Certa vez um homem muito rico, de natureza boa e generosa, queria que seu escravo fosse feliz. Para isso lhe deu a liberdade e um navio carregado de mercadorias. - Agora você está livre - disse o homem. - Vá e venda esses produtos em diversos países e tudo o que conseguir por eles será seu. O escravo liberto embarcou no navio e viajou através do imenso oceano. Não havia viajado muito tempo quando caiu uma tempestade. O barco foi arremessado violentamente contra os rochedos e se fez em pedaços; tudo o que havia a bordo se perdeu. Somente o ex-escravo conseguiu se salvar, porque, a nado, pode alcançar a praia de uma ilha próxima. Triste, abatido e só, nu e sem nada, o ex-escravo caminhou até chegar a uma cidade grande e bonita. Muita gente se aproximou para recebê-lo, gritando: - Bem-vindo! Bem-vindo! Longa vida ao rei! Trouxeram uma rica carruagem, onde o colocaram e escoltaram-no até um magnífico palácio. Lá muitos servos se reuniram ao seu redor, vestiram-no com roupas reais e todos se dirigiam a ele como soberano, em total obediência a sua vontade. O ex-escravo, naturalmente, ficou feliz e, ao mesmo tempo, confuso. Ele desejava saber se estava sonhando ou se tudo o que via, ouvia e experimentava não passava de uma fantasia passageira. Convenceu-se, finalmente, de que o que estava acontecendo era real. E perguntou a algumas pessoas que o rodeavam, de quem gostava, como havia chegado àquela situação. - Afinal - disse, - sou um homem de quem vocês nada conhecem, um pobre e despido vagabundo que nunca viram antes. Como podem transformar-me em seu governante? Isto me causa muito mais espanto do que possa dizê-lo. - Senhor - responderam, - esta ilha é habitada por espíritos. Há muito tempo eles rezaram para que lhes fosse enviado um filho do homem para governá-los, e suas preces foram ouvidas. Todos os anos é enviado um filho do homem. Eles o recebem com grande dignidade e o colocam no trono. Porém seu 'status' e seu poder acabam quando se completa o ano. Então lhe tiram as vestes reais e o põem a bordo de um barco que o leva para uma grande ilha deserta. Lá, a não ser que antes tenha sido sábio e tenha se preparado para esse dia, não encontra amigos, não encontra nada: vê-se obrigado a passar uma vida aborrecida, solitária e miserável. Elege-se então um novo rei, e assim acontece ano após ano. Os reis que o antecederam foram descuidados e não pensaram. Desfrutaram plenamente de seu poder, esquecendo-se do dia em tudo acabaria. Essas pessoas aconselharam ao ex-escravo a ser sábio e permitir que suas palavras permanecessem dentro de seu coração. O novo rei ouviu tudo atentamente, e lamentou ter perdido o pouco tempo que havia passado desde que chegara à ilha. Pediu ao homem de conhecimento que havia falado: - Aconselhe-me, ó Espírito da Sabedoria, como devo preparar-me para os dias que chegarão no futuro. - Nu você chegou até nós - disse o homem - e nu será enviado à ilha deserta da qual lhe falei. Agora você é rei e pode fazer o que quiser. Por isso mande os trabalhadores à ilha e permita-lhes que construam casas, preparem a terra e tornem belas as redondezas. Os terrenos áridos devem ser transformados em campos frutíferos. As pessoas deverão ir viver lá e você estabelecerá um reino para si mesmo. Seus próprios súditos estarão esperando quando você chegar para dar-lhe as boas-vindas. O ano é curto, o trabalho é longo: seja diligente e energético. O rei seguiu o conselho. Mandou trabalhadores e materiais para a ilha deserta, e antes de findar a vigência de seu poder a ilha se transformou num lugar fértil, aprazível e atraente. Os governantes que o tinham precedido haviam antecipado o fim de seu tempo com medo, ou afastavam este pensamento se divertindo. Ele porém o aguardava com alegria, uma vez que então poderia começar sobre uma base de paz permanente e felicidade. O dia chegou. O escravo liberto que tinha sido feito rei foi despojado de sua autoridade. Ao perder seus trajes reais, perdeu também seus poderes. Nu, foi colocado num barco, e as velas inflaram em direção à ilha. Porém, quando se aproximou da praia, as pessoas que tinham sido enviadas antes para lá vieram para recebê-lo com música, canções e muita alegria. Fizeram-no seu governante, e ele viveu em paz. Extraído de 'Histórias da Tradição Sufi' Edições Dervish 1993



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Escrito por Wali às 12h01
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"O Gramático e o Dervishe"

Autor: Rumi

Buscar na Web "Rumi"

Numa noite escura um dervixe passava junto a um poço seco, quando do interior do mesmo brotou um chamado de socorro. - Que será? - indagou o dervixe, olhando para o fundo do poço. - Sou um gramático e infelizmente, por desconhecer o caminho, caí neste poço profundo, em que estou agora quase imobilizado - respondeu o outro. - Aguenta firme aí, amigo. Vou buscar uma escada e corda - gritou o dervixe. - Um momento, por favor! - exclamou o gramático. - Sua gramática e pronúncia são incorretas, seria bom que as corrigisse. - Se isso é mais importante que o essencial será melhor que você permaneça onde está, até que eu tenha aprendido a falar com elegância e propriedade.

Este conto foi relatado por Jalaludin Rumi e está registrado em "Feitos dos Adeptos" de Aflaki. Editado na Inglaterra em 1965 sob o título de "Lendas dos Sufis", a presente narrativa acerca dos Mevlevis e suas supostas façanhas foi escrita no século XIV. Algumas dessas narrativas são meramente lendas sobre feitos fantasiosos, mas outras são históricas, e algumas pertencem ao estranho gênero conhecido pelos sufis como "histórias ilustrativas", quer dizer, uma série de fatos entremeados para exemplificar processos psicológicos. Por esse motivo tais contos tem sido denominados "A Arte dos Cientistas Dervixes"



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Escrito por Wali às 12h21
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"O VELHO QUE NUNCA AMOU"

Autor: Anonimo

Contam que o elevado e santo Bajezid Bistami encontrava-se falando a uma grande e atenta platéia. Todos os presentes, velhos ou jovens, estavam fascinados com suas palavras. No auge deste encantamento, quando seu discurso enlevava a todos, entrou um fumador de ópio, e com a fala algo arrastada disse: - Mestre, meu burro se perdeu. Ajuda-me a encontrá-lo. - Paciência, meu filho, eu vou achá-lo - disse-lhe Bajezid Bistami, continuando seu sermão. Após algum tempo, enquanto ainda discursava, perguntou aos presentes: - Existe alguém entre nós que nunca amou? - Eu - disse um velho levantando-se - eu nunca amei ninguém, desde minha mais remota juventude. Nunca o fogo da paixão consumiu minha alma. Para que não turvasse minha mente, nunca deixei o amor ocupar meu coração. O venerando Bajezid Bistami voltou-se então para o fumador de ópio que pouco antes o havia interrompido e lhe disse: - Vê, meu filho, acabo de achar teu burro! Pega-o e leva-o daqui.



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Escrito por Wali às 12h18
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"O Talismã"

Autor: Idries Shah

Conta-se que um faquir que queria aprender sem esforçar-se foi, depois de um tempo, descartado do círculo do Sheik Shah Gwath Shattar. Quando Shattar o estava despedindo, o faquir disse: - Você tem a reputação de poder ensinar todo o conhecimento em um abrir e fechar de olhos; sem dúvida, espera que eu fique muito tempo com você. - Ainda não aprendestes a “aprender a aprender”, mas chegarás a saber o que quero dizer - disse o sufi. O faquir simulou partir, mas voltou a entrar às escondidas na tekkia todas as noites, para poder ver o que fazia o Sheik. Não muito depois viu Shah Gwath pegar uma jóia do interior de um noz se metal gravado. Esta gema a colocava sobre a cabeça de seus discípulos dizendo: “Este é o receptáculo de meu conhecimento e não é outro que o Talismã da Iluminação”. “Então este é o segredo do poder do Sheik” - pensou o faquir. Em hora avançada da noite entrou novamente na sala de meditação e roubou o Talismã. Mas, em suas mãos, por mais que tentasse, a jóia não proporcionava nem poder, nem segredos, e ficou amargamente decepcionado. Se instalou como mestre, recrutou discípulos e tratou uma vez ou outra de iluminá-los e iluminar-se por intermédio do Talismã, mas sem nenhum resultado. Um dia estava sentado em sua sala de meditação, meditando seus problemas depois que seus discípulos tinham ido deitar, quando Shattar apareceu à sua frente. - Oh, faquir - disse Shah Gwath - sempre poderás roubar algo, mas nem sempre poderás fazê-lo funcionar. Até poderás roubar conhecimento, mas não terá nenhum valor para ti, como o ladrão que roubou a navalha do barbeiro e morreu na miséria, por não ser capaz de fazer uma só barba, cortando porém vários pescoços ao tentar. - Mas eu tenho o Talismã e tu não o tens - disse o faquir. - Sim, tu tens o Talismã, mas eu sou Shattar - disse o sufi.- Eu posso, com minha habilidade, fazer outro Talismã. Tu, com o Talismã, não te podes converter em Shattar. - Então porque viestes me torturar? - gritou o faquir. - Vim para dizer-te que se não tivestes sido de mente tão literal, tal como imaginar que ter uma coisa é o mesmo que ser capaz de ser transformado por ela, terias estado pronto para aprender a aprender. Mas o faquir pensou que o sufi só estava tratando de recuperar o Talismã, e como não estava pronto para aprender a aprender, decidiu persistir em seus experimentos com a jóia. Seus discípulos se limitaram a imitar-lhe e outro tanto fizeram seus continuadores e quem sucedeu a estes. De resto, os rituais que foram o resultado de sua experimentação desassossegada formam, na atualidade, a essência de sua religião. Ninguém poderia imaginar, depois de haver chegado a considerar santificadas suas observações, que estas têm origem nas circunstâncias que se acabam de relatar. Os decadentes anciãos , praticantes desta fé, se consideram tão veneráveis e infalíveis que estas crenças nunca morrerão.



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Escrito por Wali às 18h52
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